
O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa –
IBGC define Governança Corporativa como o sistema pelo qual as empresas e
demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os
relacionamentos entre sócios, Conselho de Administração, Diretoria, órgãos de
fiscalização e controle, e demais partes interessadas.
Esta definição
é amplamente divulgada e associada aos seus quatro princípios: Transparência,
Equidade, Prestação de Contas e Responsabilidade Corporativa, os quais norteiam
o sistema organizacional na busca de resultados sustentáveis e perenes. Entretanto,
somente a Governança Corporativa e a aplicação de seus princípios não são
suficientes para que uma empresa ou organização alcance os seus objetivos de
forma concreta. É fundamental mensurar a eficiência e a eficácia das atividades
por meio de um conjunto de processos de gestão. A gestão
organizacional é uma prática imprescindível para que o sistema empresarial seja
bem sucedido. Avaliar métricas e resultados, a partir das decisões no dia a
dia, garantem o controle e a transparência necessários para as tomadas de
decisão inerentes à atividade empresarial. O
gerenciamento de pessoas, processos e sistemas pode ser um longo caminho a ser
percorrido pelas organizações na busca de melhores resultados. Porém, será
determinante para as organizações sustentáveis. Empresas reconhecidas, como a
Ambev, aplicam o conceito de gestão empresarial defendido há muito tempo pelo
Professor Vicente Falconi, a exemplo do método PDCA (Plan, Do, Check, Act)
para resolução de problemas: um facilitador para o entendimento objetivo da
causa-raiz de não conformidades, por exemplo. Logo, a gestão organizacional
também viabiliza as boas práticas de Governança Corporativa e representa uma
atividade essencial para o alcance dos objetivos corporativos.
A gestão é uma
grande aliada na busca por melhores resultados e no cumprimento dos princípios
básicos do sistema de Governança Corporativa, conforme podemos observar a
seguir: 1.
A Transparência é facilitada
quando os processos da empresa são padronizados, gerenciados e alimentados
periódica e continuamente, visando a comunicação tempestiva ao mercado, aos
acionistas, ao fornecimento de respostas a questionamentos de auditores e
autoridades supervisoras e fiscalizadoras, dentre outros atos;
2.
A Equidade é assegurada pelo uso
de ferramentas que demonstrem fatos e dados lógicos diante de situações de não
conformidades ou em investigações internas, propiciando um tratamento justo e
isonômico entre todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders),
baseado em seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas;
3.
A Prestação de Contas, realizada por
ferramentas de gestão adequadas, garante a demonstração clara, concisa e
tempestiva dos atos e omissões dos agentes de governança, permitindo a análise
de sua atuação e, consequentemente, de seu grau de responsabilidade e o
compromisso com os deveres de diligência;
4.
A Responsabilidade Corporativa é
certificada pelo uso adequado de mecanismos de gestão que comprovem a
efetividade das diretrizes e decisões aplicadas, em atendimento aos padrões e
políticas de Compliance da organização, bem como o zelo dos
agentes de governança nas questões relacionadas à viabilidade
econômico-financeira da organização, a redução das externalidades negativas ao
negócio e o aumento de ações positivas, considerando o modelos de negócios e os
diversos capitais, em curto, médio e longo prazo.
Ainda que
tenhamos o “norte” a partir dos princípios mencionados acima, realizar a gestão
do sistema de Governança Corporativa permite atuar preventivamente em relação
aos alertas de não conformidades ou assuntos que exijam interferência ou
resposta rápida e coordenada do Board.
Decisões
corporativas de qualidade devem ser baseadas em informações seguras e acuradas,
tendo como destinatários os stakeholders e demais partes
interessadas, viabilizando assim a segurança e assertividade na condução das
mais diversas situações.
Vale lembrar
que todos os procedimentos relativos ao processo decisório devem ser
documentados e são essenciais para a gestão, desde ações que possam vir a
impactar pessoas até os aspectos que envolvem segurança da informação, sigilo e
confidencialidade. Diante desse
cenário, a simples implementação de um sistema de Governança Corporativa nas
organizações e a atenção aos seus princípios não são suficientes para a
comprovação de sua eficácia no dia a dia. É necessário investir tempo e
energia, além de envolver pessoas para a obtenção de resultados positivos sobre
o conjunto de processos e métricas, de modo a garantir a Governança Corporativa
na prática, com o objetivo de propiciar segurança ao negócio e contribuir para
o alcance dos resultados esperados. A Governança
Corporativa deve ser vista e entendida de forma abrangente e a sua
implementação e aprimoramento deve se dar por meio de metodologia de gestão
capaz de evidenciar a aplicação prática de seus princípios e a verificação do
desempenho organizacional frente às metas corporativos estabelecidas Por: Luciana
Della Barba, Bruno Galvão Ferola e Emerson Siécola (membros do Comitê de
Governança Corporativa da LEC)