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Opinião

Sugestões de como enfrentar uma crise

06/05/2020

Estamos no meio de uma crise global sem precedentes com a propagação do COVID-19, na qual indústrias de todos os setores sentem o impacto e a necessidade de adaptação. Diante desse cenário, elaboramos algumas sugestões que podem te ajudar a passar por esse momento.


O que é crise?


No dicionário Michaelis a definição de crise é: “Ausência ou deficiência de algo; carência, escassez, falta; Conjuntura desfavorável; Situação anormal e grave; conflito, tensão, transtorno; Momento de transição entre uma fase de prosperidade e outra de depressão, ou vice versa”.


A British Standardisation Institute (BSI), publicou, em 2018, uma norma sobre gestão de risco “PD CEN/TS 17091:2018 Crisis management. Guidance for developing a strategic capability“, classificando “crise” como: “um evento ou situação sem precedentes ou extraordinária que ameaça uma organização e requer uma resposta estratégica, adaptativa e oportuna de forma a preservar a sua viabilidade e integridade”.


É interessante, também, que nos idiomas orientais não há uma distinção entre os significados das palavras “crise” e “oportunidade”. No chinês, por exemplo, o mesmo ideograma representa as duas ideias e quem traduzir o texto escolherá o significado mais apropriado para sua situação.


Assim, quando analisamos as diversas definições encontradas fica evidente que a definição de crise será escolhida por cada empresa, que poderá tornar a crise em oportunidade.


Principais crises globais


    1929 - A Grande Depressão 


Com o final da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos entraram em um grande crescimento econômico, pois tinham a Europa - que foi muito afetada pela guerra - como um grande consumidor dos seus produtos.


No entanto, a partir de 1925, a Europa começou a se reerguer, recuperando mercados e passando a comprar menos dos Estados Unidos.


Com a alta demanda da Europa, os Estados Unidos estavam produzindo muito, mas com a redução das exportações, sofreram uma crise de superprodução. Isso significa que havia muito produto, mas não havia comprador. Com muitos produtos parados, as empresas passaram a demitir funcionários e muitas empresas foram à falência.


Como as empresas estavam ameaçadas, a compra de suas ações reduziu drasticamente, o que levou à famosa quebra das ações da Bolsa de Valores de Nova York, em 29 de outubro de 1929.


A crise de 1929 foi uma crise do liberalismo, o qual defende a menor intervenção possível do Estado na economia, acreditando que o mercado se ajustaria conforme a lei de oferta e demanda. No entanto, para a recuperação do país, foram adotadas medidas de intervenção do Estado na economia, com o chamado New Deal, do Presidente Franklin D. Roosevelt.


    Crise econômica mundial de 2008

A crise mundial de 2008 foi iniciada nos Estados Unidos. Foi um colapso no sistema de especulação, decorrente da chamada bolha imobiliária.

Por volta de 1998, os bancos começaram a facilitar os empréstimos, através de hipotecas.

Esses empréstimos eram considerados de alto risco, pois muitas pessoas não tinham condições de pagar suas dívidas. Desconsiderando esse risco, os bancos de investimento vendiam essas dívidas e as classificavam como seguras.

Ao  atingir preços superiores do mercado, o setor acabou entrando em colapso, pois    a supervalorização não foi acompanhada pela capacidade financeira dos cidadãos. Assim, as hipotecas acabaram não tendo liquidez esperada, havendo uma quebra econômica em razão do aumento dos juros e da inflação.

Como a inflação no país estava aumentando, o governo precisou aumentar a taxa de juros. Logo, grande parte das pessoas que havia realizado empréstimos não conseguiu mais pagar suas dívidas. Como essas dívidas estavam sendo negociadas pelos bancos de investimento no mundo todo, essa crise econômica gerou um efeito dominó, que levou ao colapso de diversos bancos. A crise atingiu primeiro os Estados Unidos, depois de algum tempo atingiu a Europa e até mesmo os países em desenvolvimento, embora em menor intensidade.

Com isso, países como Estados Unidos e Reino Unido foram obrigados a intervir no sistema financeiro. O governo americano injetou US$ 700 bilhões para comprar ações de instituições com problemas de liquidez. Na Inglaterra, o primeiro-ministro Gordon Brown anunciou um pacote de 500 bilhões de libras esterlinas para socorrer o sistema bancário do país.

Sugestões de como lidar com a crise

Em algum momento iremos enfrentar uma crise. Mas vimos que não há como prever sua chegada e nunca estaremos 100% preparados para enfrentá-la. Contudo, há meios de reduzir drasticamente seus efeitos.

As empresas podem criar métodos para reduzir os impactos, seguindo uma metodologia de gerenciamento de crise, estratégias e procedimentos voltados à redução dos seus impactos.

O Gerenciamento de Crise faz parte dos pilares do Compliance a partir do momento em que realizamos atividades como: prevenção, detecção e resposta. Procedimentos, políticas e mecanismos para minimização de riscos com base na atividade da empresa podem ser criados previamente, mas o que fazer se a crise chegou e não há tal documentação?

No momento de uma crise, a empresa e seus líderes podem, na medida do possível, controlar a situação. Com isso, a transmissão de uma mensagem clara e objetiva que está empenhada na busca por uma solução para seus clientes e parceiros é essencial. Para tanto:

a criação de comitês de crise com os principais líderes do negócio (é essencial que a alta administração tome a iniciativa para implementar o comitê na ausência de uma área de riscos e compliance);
a criação de um canal aberto e de fácil comunicação entre eles;
priorização das atividades considerando os principais aspectos do negócio e compromissos a curto, médio e longo prazo;
diálogo com parceiros e fornecedores num primeiro momento para renegociar prazos e pagamentos;
comunicação e diretrizes aos colaboradores de como serão os próximos passos para que o negócio não seja impactado;
convidar parceiros externos estratégicos como consultorias, contadores e escritórios de advocacia para auxiliar na mensuração dos riscos e principais impactos;
atuar de forma não somente na mitigação do impacto, mas com foco na manutenção da atividade da empresa;
monitoramento contínuo de cada uma das ações decididas no comitê.

Além disso, é importante que o Gerenciamento de Crise esteja dentro em uma área estratégica da empresa, dotada de autonomia, independência, imparcialidade e reporte direto ao mais alto corpo decisório da empresa. Essa instância é a área de Compliance, responsável pelo Programa de Compliance e Integridade da empresa.

Um programa de Compliance e um robusto gerenciamento de crise fornece um conjunto bem documentado de respostas a situações críticas, tendo em vista que não há como prever as crises, tampouco estar 100% preparado para ela, uma vez que a crise exige que as decisões sejam tomadas rapidamente para limitar os danos à organização, sendo que um bom planejamento da empresa permite que a área afetada aja da forma correta, sem causar danos, transformando uma situação crítica em oportunidade.

As crises pelas quais passamos não devem ser encaradas como situações negativas, tampouco como castigos, mas sim como uma forma de aprendizado, pois estamos em constante evolução e a crise representa uma oportunidade de inovação.

Por: Renato L. Breunig, Lucas Paglia, Bruno Ferola e Rodrigo Tufano.

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